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Mães denunciam falta de leite na Central de Medicamentos para crianças portadoras de APLV e deputado Wilker Barreto faz apelo ao Governo do Amazonas

Por Assessoria de Comunicação

23.mai.2023 7:53h
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Foto: Divulgação Assessoria

“Eu pensei que iria perder a minha filha naquele momento”. É desta forma que a dona de casa Sabrina Costa, 19, relata o momento de aflição que passou com sua pequena, Maria Ysabelle, portadora de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), que aos 6 meses, em março deste ano, teve um choque anafilático após ingerir o leite da marca Alfamino, ao invés fórmula infantil Neocate. A mãe conta que a troca das marcas do leite ocorreu na Central de Medicamentos do Amazonas (CEMA) com a justificativa de quem ambos são similares. Entretanto, a reação de Ysabelle e de outras crianças mostram o contrário, e o caso foi relatado na tarde desta segunda-feira, 22, ao deputado estadual Wilker Barreto (Cidadania).

“Tem gente que fala que é a mesma coisa, pois são dois leites 100% aminoácido, só que o Alfamino tem na composição o milho, ou seja, vários tipos de óleos que o Neocate não tem. A minha filha faz reação respiratória, e outras crianças na pele. Em março, fui à Cema, e descobrimos que a licitação do Neocate havia sido trocada pelo Alfamino, explicamos que ela não tolerava, e a atendente respondeu que ela não poderia fazer nada. Com isso, levamos o Alfamino, pois não tinha mais nada em casa de Neocate. Quando dei a primeira mamada, rapidamente teve o choque anafilático, ficou roxa e começou a parar, os batimentos caíram, ficou mole, corremos para o hospital e foi parar na UTI. Tudo isso por causa de uma mamadeira de leite, que quase tirou a vida da minha filha. O que a gente quer é que volte o Neocate”, relatou Sabrina, que sem a assistência da CEMA pela fórmula infantil, vive de doação de leite, ou chega a gastar entre R$3 a 4 mil por mês.

A fala de Sabrina e de outras mães com filhos com APLV sensibilizou o deputado Wilker que, em reunião, fez uma alerta ao Governo do Amazonas, e solicitou que a Central de Medicamentos retorne com administração do Neocate, e informou que está oficializando a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e a CEMA pelo fato, uma vez que crianças não estão reagindo bem a troca da fórmula, e o Neocate está em falta desde dezembro de 2022.

“Faço um apelo ao Governo, que não deixe mais faltar as fórmulas para a crianças, de 0 a 3 anos, são mais de 300 crianças sem o leite adequado. O Alfamino está dando reação em muitas crianças, e tem bebê batendo no hospital por conta disso. Peço que o Estado possa voltar com a fórmula antiga, o Neocate, pois neste caso não é o mais barato, mas o que menos faz mal, o que é apropriado. A Ysabelle parou numa UTI e não podemos aceitar isso, e nem expor nossas crianças a isto. Estou oficializando a CEMA e a SES-AM para que justifique o motivo da compra de Alfamino, uma vez que o Neocate é a fórmula que melhor atende essa classe”, pontuou Wilker.

 

CEMA x Neocate

A CEMA não oferta o Neocate aos responsáveis das crianças portadoras de APLV desde dezembro de 2022. O valor de cada lata varia de R$190 a quase R$300, dependendo do local de compra, e tem duração de consumo por bebê (média) de aproximadamente uma lata a cada dois dias, como é o caso de Ysabelle.

 

Nos meses de março, abril e início de maio, a CEMA chegou a ficar sem distribuir fórmula infantil e, quando retornou, ofertou o Alfamino. “Em dois meses, com a falta de fórmula na CEMA, eu cheguei a gastar mais de quatro mil reais para a minha filha que tinha 5 meses. Ela se adaptou ao Alfamino, mas tem criança que não, e aí é um sofrimento para a família, podendo levar até a morte da criança”, disse uma mãe, servidora pública, que não quer ser identificada.

 

 

Jornalista responsável: Nathália Silveira (92) 98157-3351

Texto: Dayson Valente