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A violência de gênero foi o principal tema dos debates desta terça-feira (10/2), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Deputadas cobraram medidas mais efetivas de segurança pública e denunciaram o aumento dos casos de feminicídio no estado.
A deputada Mayra Dias (Avante) levou o assunto ao Plenário Ruy Araújo e destacou os números alarmantes, destacando que, em 2025, o Brasil registrou cerca de 1.470 feminicídios, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. No Amazonas, foram 20 casos no mesmo período. Apenas nos primeiros 40 dias de 2026, são seis mulheres mortas por companheiros.
Segundo a parlamentar, o aumento das medidas protetivas passou de 9 mil para mais de 12 mil no último ano e mostra a gravidade da situação. Ela questionou a falta de prioridade e criticou o atraso nas obras da Casa da Mulher Brasileira em Manaus, anunciada em 2020 e ainda sem previsão de conclusão.
“É uma urgência que tem nome, rosto e endereço. Cada morte representa a falha do estado. A Casa da Mulher Brasileira é um instrumento importantíssimo de acolhimento e proteção às mulheres vítimas de violência, mas segue paralisada”, afirmou.
A Casa da Mulher Brasileira é um projeto do governo federal que reúne, em um único espaço, serviços especializados de atendimento às mulheres em situação de violência, como delegacia, juizado, defensoria, Ministério Público e apoio psicossocial. Em Manaus, a unidade deveria funcionar como referência regional, mas a obra acumula atrasos e já foi alvo de condenação judicial, segundo informou a deputada.
A deputada Alessandra Campelo (Podemos), presidente da Procuradoria Especial da Mulher da Aleam, reforçou a preocupação. Ela informou que já há quatro feminicídios confirmados em 2026 no Amazonas, além de dois casos em investigação, uma média de um crime a cada dez dias.
Campelo defendeu políticas públicas de prevenção e conscientização, com ações nas escolas e campanhas de incentivo à denúncia. Ela citou o caso ocorrido em Manaus no último fim de semana, quando uma criança de seis anos encontrou a mãe morta após ser espancada pelo companheiro.
“É inadmissível que em 2026 a gente viva esta realidade. Precisamos de um pacto civil para mudar essa situação. Quem acha que eu falo muito sobre isso, aviso que não vou me calar, porque os números mostram que precisamos continuar lutando”, declarou.
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